Revisão para Baixo nas Projeções de Inflação

Primeiramente, o destaque do levantamento é a redução nas estimativas de inflação. Para 2025, a projeção do IPCA caiu de 5,0% para 4,5%. Da mesma forma, a expectativa para 2026 recuou de 4,5% para 4,2%. Para 2027, a previsão se manteve estável em 4,0%. Esses números sinalizam que, na avaliação do empresariado, a inflação deve se acomodar próximo ao limite superior da meta estabelecida pela autoridade monetária, mas com uma trajetória de desaceleração.

Principais Projeções da Pesquisa Firmus (4º Tri/2025):

  • IPCA 2025: 4,5% (revisão de 5,0%)
  • IPCA 2026: 4,2% (revisão de 4,5%)
  • Crescimento do PIB 2025: 2,1% (estável)
  • Crescimento do PIB 2026: 1,8% (revisão de 1,9%)
  • Câmbio (6 meses): R$ 5,50 (revisão de R$ 5,60)
Fonte: Banco Central / Pesquisa Firmus

Expectativas Cautelosas para o Crescimento Econômico

Por outro lado, as projeções para a atividade econômica mostram pouca variação e um tom mais conservador. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 permaneceu em 2,1%. Já para 2026, houve um leve ajuste para baixo, de 1,9% para 1,8%. Este movimento reflete uma percepção de que o ritmo de crescimento no médio prazo será moderado. Além disso, a pesquisa apontou estabilidade no nível de otimismo das empresas em relação ao desempenho de seus próprios setores, sugerindo um ambiente de cautela sem deterioração aguda.

Divergência Entre Setor Produtivo e Mercado Financeiro

No entanto, um contraste interessante surge ao comparar a visão das empresas com a do mercado financeiro. Enquanto o Boletim Focus projeta uma inflação de 2025 em torno de 4,3%, as empresas enxergam um patamar mais alto, de 4,5%. Esta diferença revela uma postura inerentemente mais cautelosa por parte do setor produtivo, que lida diretamente com custos e preços. No crescimento econômico, as expectativas se aproximam, mas o mercado financeiro ainda é ligeiramente mais otimista, estimando um PIB de 2,3% contra 2,1% das empresas.

A pesquisa Firmus oferece um termômetro valioso da percepção real da economia por quem a opera no dia a dia. A cautela persistente, mesmo com a melhora nas projeções de inflação e câmbio, é um sinal claro do ambiente de negócios.

Análise de Mercado

Cenário Cambial e Metodologia da Pesquisa

Além disso, o levantamento trouxe uma perspectiva ligeiramente mais favorável para o câmbio. As expectativas para a taxa do dólar seis meses à frente recuaram pelo terceiro trimestre consecutivo, de R$ 5,60 para R$ 5,50. Portanto, há um sinal de maior confiança na estabilidade da moeda brasileira no curto prazo. Esta edição da Firmus, referente ao quarto trimestre de 2025, foi realizada entre 10 e 28 de novembro e reuniu 240 respostas completas, uma amostra robusta que reflete a visão de diversos segmentos da indústria e serviços.

Consequentemente, o cenário que se desenha é de uma inflação em processo de desaceleração, mas ainda desafiadora, combinada com uma expectativa de crescimento econômico sólido porém não exuberante. Em resumo, o setor produtivo demonstra acreditar em uma melhora gradual do ambiente macroeconômico, mas sem abandonar a prudência que caracterizou os últimos anos.