O Pacote de Estímulos e Seu Impacto no PIB
Inicialmente, é importante destacar que, sem a intervenção governamental, o cenário seria mais preocupante. Para conter a desaceleração em um ano politicamente sensível, uma série de medidas de estímulo foi desenhada. Conforme análise do Itaú Unibanco, este pacote inclui:
- Isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.
- Ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida e do crédito consignado.
- Linhas de crédito específicas para reformas e benefícios na conta de luz e no gás de cozinha para famílias de baixa renda.
Além disso, os cálculos do Itaú indicam que, isoladamente, a isenção fiscal injetará cerca de R$ 35 bilhões na economia. “São várias coisas… Tudo isso soma 0,7 ponto de contribuição para o PIB”, afirmou Pedro Schneider, economista da instituição. Portanto, enquanto o banco projeta um PIB de 1,7% com os estímulos, sem eles o crescimento ficaria próximo de apenas 1%.
O Cenário de Juros Elevados e a Pressão Fiscal
Por outro lado, a economia já sente os efeitos do aperto monetário iniciado em 2024. A taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, encontra-se no maior patamar em quase duas décadas. Consequentemente, esse custo elevado do crédito encarece o consumo das famílias e desestimula investimentos do setor privado, um fator-chave para a perda de fôlego.
Projeção para 2026: PIB entre 1,5% e 2%, com estímulos contribuindo com 0,7 p.p.
No entanto, a política monetária rigorosa trouxe resultados no controle da moeda. “O câmbio saiu de R$ 6,18 e veio para R$ 5,40… o Banco Central teve um papel de reancorar as expectativas”, analisa Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil. A maior parte do mercado financeiro prevê que o ciclo de cortes na Selic tenha início apenas em março de 2026, com a taxa terminando o ano em 12,25%.
Entretanto, esse cenário convive com um desafio fiscal de longo prazo. As contas públicas seguem pressionadas, com a dívida bruta do país projetada para alcançar cerca de 84% do PIB em 2026 – nível considerado elevado para uma economia emergente. Isso aponta para a necessidade de um ajuste fiscal robusto no período pós-eleitoral.
Mercado de Trabalho Aquecido e Inflação Teimosa
Da mesma forma, o desempenho do mercado de trabalho apresenta um contraste. A taxa de desocupação atingiu níveis historicamente baixos, ficando em 5,4% no trimestre até outubro, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Paralelamente, a massa de salários em circulação bateu recorde, superando R$ 357 bilhões.
No entanto, esse aquecimento gera uma pressão persistente sobre os preços. “Estamos vendo uma inflação de serviços que cai pouco. Por isso, o IPCA também cede pouco e fica na casa dos 4%”, explica Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 é de 4,1%, ainda acima da meta central de 3%, mas dentro do limite superior do sistema de metas.
Resumo dos Principais Indicadores para 2026
- Crescimento Econômico (PIB): Projeção entre 1,5% e 2%.
- Taxa de Desemprego: Média anual estimada em 5,9%.
- Inflação (IPCA): Expectativa de 4,1%.
- Taxa de Juros (Selic): Previsão de encerramento do ano em 12,25%.
- Dívida Bruta/PIB: Deve alcançar patamar próximo de 84%.
Conclusão: Uma Economia em Transição
Em resumo, a economia brasileira se encaminha para 2026 em um momento de transição e menor dinamismo. O crescimento será sustentado por estímulos fiscais em um contexto de juros altos e inflação ainda resistente, especialmente nos serviços. Portanto, o ano eleitoral será marcado por um equilíbrio delicado entre medidas de curto prazo para sustentar a atividade e os desafios estruturais das contas públicas, que exigirão atenção imediata no futuro próximo.