No entanto, a palavra “resiliência” não se traduz em alívio para milhões de cidadãos. Para começar, muitas famílias americanas adentram 2026 com preocupações profundas sobre empregos, poder de compra e perspectivas futuras. A sensação predominante é de que a economia não funciona a seu favor, uma percepção sustentada por dados concretos.

Um Retrato de Contrastes e Dados Mistos

Inicialmente, a retomada da divulgação de dados oficiais, após o *shutdown*, revelou um quadro complexo. Conforme informações do Bureau of Labor Statistics, o crescimento do emprego em novembro foi razoável, mas a taxa de desemprego registrou alta. Da mesma forma, as vendas no varejo mantiveram solidez, enquanto o avanço dos salários perdeu força significativa.

Cenário Econômico Pós-Shutdown: Inflação desacelerada, porém elevada; consumo sustentado por minoria rica; mercado de trabalho enfraquecido.

Análise com base em dados oficiais dos EUA

Além disso, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre apontam para um crescimento robusto. Portanto, a expansão econômica real para 2025 deve ficar próxima de 1.5%, um número que, embora inferior ao de 2024, afasta o fantasma da recessão técnica. Entretanto, esse crescimento mascarou problemas estruturais profundos.

O Abismo Entre os Dados e a Percepção Popular

Por outro lado, pesquisas de opinião revelam um abismo significativo entre os indicadores macroeconômicos e a experiência cotidiana das pessoas. A pressão financeira é um tema unânime, impulsionada por fatores como:

  • Custo da Habitação: A casa própria permanece inacessível para uma parcela significativa da população.
  • Tarifas Comerciais: As medidas implementadas pelo governo elevaram os preços de diversos produtos de consumo.
  • Contas Básicas: Gastos com energia elétrica, planos de saúde e cuidado infantil continuam em trajetória de alta.

“Quando os americanos pensam na economia, eles pensam: ‘Consigo pagar pelo que preciso e quero? Tenho oportunidades econômicas?’”, reflete uma ex-assessora do governo anterior. Quando a resposta é negativa, fica quase impossível convencer as pessoas de que a situação é favorável.

Fatores de Resistência e Desigualdade

Apesar das previsões sombrias, a economia encontrou fontes inesperadas de força. Primeiramente, o investimento empresarial foi sustentado por um boom na construção de data centers para inteligência artificial. Simultaneamente, a alta do mercado de ações, também ligada ao otimismo com a IA, estimulou o consumo de um grupo específico.

“Se não fosse pelo boom de gastos com IA, estaríamos em uma situação diferente.”

Michael Strain, economista do American Enterprise Institute

No entanto, os benefícios desse crescimento foram distribuídos de forma extremamente desigual. Consequentemente, o consumo ficou bifurcado: famílias de alta renda, donas da maior parte dos ativos financeiros, continuam gastando, enquanto as de baixa renda enfrentam inadimplência crescente. Portanto, não há uma sensação de que a maré econômica levanta todos os barcos.

Perspectivas Cautelosas para 2026

Olhando para frente, muitos analistas mantêm um otimismo cauteloso. Diversos fatores podem impulsionar a economia no próximo ano, incluindo:

  1. Cortes de Impostos: Restituições maiores devem estimular o consumo no primeiro trimestre.
  2. Juros Mais Baixos: A política do Federal Reserve deve continuar facilitando o crédito.
  3. Redução da Incerteza: Um ambiente político e regulatório mais estável pode reativar o investimento empresarial.

Entretanto, riscos significativos pairam sobre essa recuperação. A possibilidade de o boom da IA perder fôlego, novas medidas protecionistas ou a persistência de um mercado de trabalho fraco podem reverter os ganhos. Em resumo, a economia americana saiu cambaleante, mas de pé, de 2025, enquanto seu maior desafio para 2026 será traduzir a resistência macroeconômica em bem-estar para a maioria de seus cidadãos.