Um Crescimento que Surpreendeu o Mercado

Inicialmente, as expectativas do mercado, conforme pesquisas da FactSet, apontavam para um crescimento mais modesto, em torno de 3%. Portanto, a taxa de 4,3% registrada de julho a setembro surpreendeu positivamente, especialmente quando comparada ao crescimento de 3,8% observado no trimestre anterior. Para começar, este resultado robusto ocorre em um contexto de taxas de juros historicamente elevadas, impostas pelo Federal Reserve (Fed) para combater a inflação.

Principais Motores do Crescimento (Taxa Anualizada):

  • Gastos do Consumidor: +3.5% (ante +2.5% no 2º trimestre)
  • Gastos do Governo: +2.2% (ante -0.1% no 2º trimestre)
  • Exportações: +8.8%
  • Investimento Empresarial Privado: -0.3% (melhora frente a -13.8%)
Fonte: Departamento de Comércio dos EUA

Inflação Persistente: O Outro Lado da Moeda

No entanto, este vigor econômico trouxe consigo um desafio familiar: a pressão inflacionária. A medida preferida de inflação pelo Fed, o Índice de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), acelerou para uma taxa anual de 2.8% no terceiro trimestre. Além disso, o núcleo da inflação PCE, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, subiu para 2.9%. Consequentemente, esses números permanecem consistentemente acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central.

Esta combinação de crescimento forte e inflação teimosa complica o cenário para os formuladores de política monetária. “Se a economia continuar produzindo nesse nível, não há tanta necessidade de se preocupar com uma desaceleração econômica”, observou Chris Zaccarelli, da Northlight Asset Management, destacando que a inflação pode retornar ao centro das preocupações.

Mercado de Trabalho e as Decisões Futuras do Fed

Por outro lado, o Fed também monitora de perto os sinais de arrefecimento no mercado de trabalho. Dados recentes mostram que a taxa de desemprego subiu para 4.6%, o nível mais alto desde 2021, e a criação de empregos desacelerou consideravelmente. Economistas descrevem o cenário como um estado de “baixa contratação e baixa demissão”, onde as empresas parecem hesitantes.

Esta dualidade – crescimento robusto versus inflação persistente e um mercado de trabalho em resfriamento – coloca o Federal Reserve em uma encruzilhada. A expectativa de novos cortes na taxa básica de juros, que já foram reduzidas três vezes consecutivas no final de 2025, torna-se menos certa. Em resumo, a força inesperada da economia no terceiro trimestre adiciona uma camada de complexidade ao já delicado processo de decisão da autoridade monetária.

Reação dos Mercados e Perspectivas

Imediatamente após a divulgação dos dados, os mercados financeiros em Wall Street reagiram com cautela, refletindo a crescente dúvida sobre a probabilidade de um novo corte de juros no início do próximo ano. Apesar disso, a economia americana mostra resiliência, expandindo-se a uma taxa saudável mesmo com o lastro das altas taxas de juros do ciclo anterior.

Portanto, o cenário econômico atual é marcado por forças contraditórias. Enquanto os gastos do consumidor e do governo impulsionam o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação resiste em cair para a meta e o emprego perde dinamismo. O desafio para o Fed será navegar por estas águas turbulentas, equilibrando o controle de preços com o apoio à atividade econômica e ao mercado de trabalho nos próximos meses.