O Cenário de Cautela e os Riscos Enfrentados

O comunicado do Copom destaca um ambiente externo marcado por incertezas, especialmente relacionadas à conjuntura e à política econômica dos Estados Unidos, que impactam as condições financeiras globais. Diante disso, o Comitê avalia que países emergentes, como o Brasil, devem adotar postura cautelosa, um alerta reforçado pelo atual contexto de tensão geopolítica.

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária.”

— Comitê de Política Monetária (Copom)

Internamente, os diretores observam uma moderação no crescimento da atividade econômica, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho demonstra resiliência. A inflação, embora mostre algum arrefecimento nas leituras mais recentes, permanece acima da meta estabelecida, mantendo a pressão sobre a autoridade monetária.

Riscos para a Trajetória Inflacionária

O Copom listou uma série de riscos que justificam sua postura conservadora. Os riscos de alta para a inflação incluem:

  • Desancoragem prolongada das expectativas: A persistência de projeções acima da meta por um tempo maior.
  • Resiliência da inflação de serviços: Possível impacto de um hiato do produto mais positivo do que o projetado.
  • Conjunção de políticas inflacionárias: Efeitos de medidas internas e externas que possam pressionar o câmbio e os preços.

Por outro lado, também foram citados riscos de baixa, como uma desaceleração econômica mais forte ou um cenário global mais desfavorável, que poderiam exigir ajustes na estratégia.

Expectativas e a Estratégia de Convergência

As expectativas de mercado para a inflação, medidas pela pesquisa Focus, continuam elevadas, situando-se em 4,4% para 2025 e 4,2% para 2026, acima da meta central de 3%. A própria projeção do Copom para o horizonte relevante de política (segundo trimestre de 2027) aponta para uma inflação de 3,2%.

Expectativas de Inflação (Focus): 2025: 4,4% | 2026: 4,2%

Fonte: Banco Central do Brasil

Diante desse quadro, o Comitê é enfático ao afirmar que a convergência da inflação para a meta em um ambiente de expectativas desancoradas exige uma política monetária significativamente contracionista por um longo período. A decisão de manter a Selic em 15% é vista como compatível com essa estratégia de convergência.


Vigilância e Flexibilidade Futura

Embora reforce a manutenção dos juros altos, o Copom deixa claro que permanece vigilante e mantém flexibilidade para os próximos passos. O comunicado afirma que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que o Comitê não hesitará em retomar o ciclo de ajuste (seja de cortes ou de altas) caso a situação econômica assim exija.

Fatores de Monitoramento Contínuo

O Comitê destacou que segue acompanhando atentamente dois desenvolvimentos específicos:

  1. Os anúncios sobre a imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil.
  2. O impacto dos desenvolvimentos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros.

Esses fatores são considerados cruciais em um cenário de maior incerteza e reforçam a postura de cautela adotada.

Conclusão: Estabilidade com Olho no Longo Prazo

A decisão do Copom reflete um equilíbrio complexo entre o combate à inflação ainda resistente e a moderação da atividade econômica. A mensagem central é de persistência na estratégia de juros altos, sem previsão de alívio imediato para os tomadores de crédito, mas com abertura para mudanças diante de novos dados.

A autarquia reafirma que, além do objetivo primordial de estabilidade de preços, sua decisão também visa suavizar flutuações da atividade e fomentar o pleno emprego no longo prazo.

Informações referentes à decisão de dezembro de 2025.