Da Mesa de Almoço para os Hospitais Públicos

Inicialmente, a ideia surgiu em 2017 a partir da frustração profissional de Ana Helena Ulbrich, farmacêutica do Grupo Hospitalar Conceição. Para começar, ela relatava ao irmão, Henrique Dias, cientista da computação, a insegurança de analisar centenas de prescrições complexas em minutos. Consequentemente, a dupla identificou uma oportunidade única: treinar um algoritmo de detecção de outliers para identificar padrões perigosos em receituários, dando origem à plataforma NoHarm.

Impacto da Plataforma: Análise de ~5 milhões de prescrições/mês.

Pacientes Beneficiados: Mais de 2,5 milhões.

Hospitais Atendidos: Cerca de 200, majoritariamente públicos.

Fonte: Dados operacionais da NoHarm

Resultados Comprovados e Impacto Mensurável

Além disso, os números comprovam a eficácia transformadora da ferramenta. Um estudo publicado no Journal of Hospital Pharmacy and Health Services, citando um hospital público de Minas Gerais, revela avanços extraordinários. Portanto, podemos observar mudanças concretas:

  • Análise de Prescrições: A taxa saltou de 0,6% para 49%.
  • Redução de Erros: A taxa caiu de 13% para apenas 0,3%, uma queda de aproximadamente 97%.
  • Economia Hospitalar: A redução de desperdícios com medicamentos elevou a economia mensal de cerca de R$ 1 mil para quase R$ 8 mil.

Entretanto, como enfatiza Ana Helena, a IA não substitui o julgamento humano. Ela serve como suporte crucial, permitindo que farmacêuticos clínicos identifiquem riscos como dosagens inadequadas ou interações medicamentosas perigosas antes que o paciente seja afetado. Conforme dados do Ministério da Saúde, falhas assistenciais são um desafio crítico no país.

Um Modelo de Negócio com Propósito Social

Por outro lado, o caminho escolhido pelos fundadores foi atípico no ecossistema de tecnologia. Eles estruturam a NoHarm como um instituto sem fins lucrativos, rejeitando propostas de investimento privado que conflitavam com seu propósito. “Nosso propósito não combina com o propósito do lucro”, afirmou Henrique Dias. A iniciativa se mantém através de investimentos sociais, prêmios e editais, como os do BNDES e programas da Fundação Gates.

“É uma forma de retornar à sociedade tudo aquilo que recebemos. Nossa ambição sempre foi o impacto, não o lucro.”

Henrique Dias, Cientista da Computação e Cofundador da NoHarm

Da mesma forma, para hospitais privados, o serviço é oferecido de forma paga, gerando receita que ajuda a sustentar a operação. No entanto, o compromisso principal permanece com o sistema público, refletindo a proporção do atendimento hospitalar brasileiro.

Reconhecimento Global e Futuro da Inovação

Recentemente, o trabalho ganhou projeção internacional. Ana Helena Ulbrich foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em IA da revista Time, na categoria “inovadores”. Este reconhecimento coloca o Brasil no mapa global de desenvolvimento de inteligência artificial aplicada à saúde, ao lado de nomes de grandes corporações.

Em resumo, a história da NoHarm vai além de uma simples startup de sucesso. Ela representa um caso paradigmático de como a tecnologia, desenvolvida em código aberto e com foco no bem público, pode enfrentar problemas complexos da sociedade. O futuro pode incluir a internacionalização da ferramenta, mas, conforme declararam seus criadores, o foco atual permanece 100% no Brasil e no fortalecimento contínuo do SUS.