A Disparidade entre Tamanho e Riqueza Individual
Para começar, é fundamental entender a diferença entre os rankings. O PIB total do Brasil é estimado em US$ 2,2 trilhões, uma cifra impressionante que o situa entre as economias mais volumosas do planeta. No entanto, ao dividir esse valor pelos aproximadamente 212 milhões de habitantes, o resultado é um PIB per capita de apenas US$ 10,4 mil anuais. Em contraste, os Estados Unidos, com um PIB de US$ 29 trilhões para 340 milhões de pessoas, alcançam uma renda por habitante de US$ 85,3 mil.
Comparativo PIB per Capita (Estimativas):
Estados Unidos: US$ 85,3 mil
Dinamarca: US$ 77,6 mil
Brasil: US$ 10,4 mil
Os Freios Estruturais ao Crescimento Brasileiro
Além da simples divisão populacional, uma série de obstáculos impede que o país acelere seu crescimento e aproxime-se das nações desenvolvidas. Inicialmente, destaca-se a baixa produtividade dos impostos. Com uma carga tributária que consome 34% do PIB, a ineficiência e o desperdício na gestão pública resultam em um retorno muito aquém do potencial em serviços e infraestrutura para a sociedade.
Por outro lado, o país enfrenta sérias deficiências em áreas fundamentais para a inovação e a produtividade. A lista de limitações é extensa:
- Educação e Ciência: Insuficiência crônica de investimentos e resultados.
- Tecnologia e Inovações: Baixa expressão mundial e lentidão nos avanços.
- Instabilidade Jurídica e Política: Insegurança para investimentos de longo prazo.
- Infraestrutura: Investimentos insuficientes como proporção do PIB.
Ação Reativa vs. Ação Ativa: Um Ciclo Vicioso
Um problema pouco divulgado, mas crucial, é o predomínio das ações reativas sobre as ações ativas na economia, especialmente no setor estatal. As ações ativas são aquelas que constroem algo novo e aumentam o potencial produtivo do país, como expandir infraestrutura, inventar produtos ou descobrir novas tecnologias.
A simples observação da deteriorada situação política e do funcionamento das instituições públicas revela a enorme parcela do esforço nacional despendida para enfrentar problemas criados artificialmente pela ineficiência e pela corrupção.
No entanto, a maior parte da energia e dos recursos é consumida por ações reativas. Estas são medidas tomadas para corrigir ou mitigar problemas gerados pelas próprias deficiências do sistema, como crises políticas, falhas de gestão e instabilidade regulatória. Portanto, o ciclo vicioso se perpetua: gasta-se mais para apagar incêndios do que para construir novos edifícios.
Baixa Inserção Internacional e Perspectivas
Da mesma forma, a economia brasileira sofre com uma inserção internacional limitada. O comércio exterior do país representa apenas cerca de 1,1% do total mundial, uma participação modesta para uma economia de seu tamanho. Em períodos recentes, somou-se a isso uma fuga de capitais estrangeiros, motivada por questões de segurança jurídica e econômica.
Consequentemente, a junção de todos esses elementos – baixa produtividade, deficiências educacionais e tecnológicas, instabilidade e isolamento relativo – frustra a expectativa de uma elevação substancial da renda por habitante nas próximas décadas. Sem mudanças estruturais profundas, o Brasil permanecerá distante do grupo das nações desenvolvidas, preso na condição de uma economia grande em números absolutos, mas pequena e com enormes carências sociais quando vista pela lente do cidadão comum.