Os Motivos por Trás da Montanha-Russa de 2025
Para começar, a volatilidade extrema observada neste ano pode ser atribuída a uma convergência de fatores macroeconômicos e de mercado. Inicialmente, a alta recorde foi impulsionada por avanços na regulamentação de stablecoins nos Estados Unidos, que aumentou a previsibilidade e atraiu capital institucional. Conforme explica Paula Zogbi, da Nomad, “investidores institucionais investem mais em ativos que têm uma maior previsibilidade regulatória”.
Além disso, o cenário de política monetária nos EUA desempenhou um papel central. O anúncio de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) criou um ambiente de excesso de liquidez, beneficiando ativos de risco. Entretanto, a expectativa da troca no comando do Fed e a realização de lucros por investidores de longo prazo, quando o ativo superou a marca de US$ 100 mil, iniciaram a pressão vendedora.
A Inesperada Correlação com o Mercado de Tech
Um dos aspectos mais comentados pelos analistas é a crescente correlação entre o Bitcoin e as ações de empresas de tecnologia. Ambos os ativos se beneficiam de um cenário de liquidez abundante, mas o criptoativo, por seu mercado menor e mais volátil, tende a amplificar os movimentos. Portanto, os temores de uma possível bolha no setor de Inteligência Artificial impactaram negativamente todo o espectro de ativos de risco, incluindo as criptomoedas.
André Barbosa, especialista em investimentos, destaca que, para o mercado financeiro, o Bitcoin pode ser visto como um indicador antecipado do movimento de realização de lucros nas techs. Sua volatilidade natural funciona como um termômetro mais sensível às mudanças no apetite por risco global.
Projeções para 2026: Volatilidade com Tendência de Alta
Apesar do cenário atual de cautela, a perspectiva para o próximo ano é majoritariamente positiva entre os especialistas. Os catalisadores que impulsionaram as altas iniciais em 2025 devem permanecer, agora combinados com expectativas de um mercado americano “mais irrigado” com liquidez. Conforme aponta Zogbi, “para o ano que vem as expectativas são de um mercado americano mais irrigado, com mais liquidez disponível. Portanto, poderia ser um bom catalisador para uma performance positiva do bitcoin no próximo ano”.
As principais projeções para 2026 incluem:
- Retomada Gradual: Alta puxada por juros mais baixos nos EUA e maior liquidez.
- Volatilidade Persistente: Impactada por eleições de meio de mandato nos EUA e ajustes no setor de IA.
- Possível Retorno aos Patamares Recordes: Com chance de superar as máximas de outubro de 2025.
E o Investidor Brasileiro Nesse Cenário?
Para o mercado doméstico, a análise ganha camadas adicionais. O cenário fiscal brasileiro e o ano eleitoral de 2026 introduzem variáveis próprias de risco. Por um lado, um eventual descontrole fiscal pode fortalecer o dólar, o que, paradoxalmente, pode beneficiar posições em Bitcoin (indexadas à moeda americana) para quem tem patrimônio em reais. Por outro lado, um governo com foco em ajuste fiscal poderia apreciar o real, criando um cenário diferente.
Ambos os especialistas concordam que o Bitcoin pode ser um ativo interessante para descorrelação em uma carteira brasileira, mas com um alerta crucial: a volatilidade dupla. “O ano eleitoral tende a trazer mais volatilidade para a bolsa, então incluir a volatilidade do Brasil e a volatilidade do bitcoin tem que ser muito bem pensado”, conclui Zogbi. A recomendação é de ponderação e alocação consciente, considerando o alto perfil de risco do ativo.