Colapso nos Terminais e Desrespeito à Ordem Judicial
Os nove principais terminais de ônibus da capital sul-mato-grossense amanheceram desertos, com portões fechados e nenhum veículo em circulação. Enquanto isso, as garagens operacionais estavam abarrotadas de coletivos estacionados. A paralisação ocorre apesar de uma decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou que 70% dos motoristas mantivessem os serviços funcionando, sob pena de multa diária de R$ 20 mil ao sindicato.
O desembargador federal do trabalho, César Palumbo, intimou o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano para cumprir a ordem com urgência. No entanto, 100% dos profissionais aderiram à greve, desafiando a autoridade judicial e mergulhando a cidade no caos.
Multa Diária Determinada: R$ 20.000,00
As Reivindicações dos Motoristas e a Crise Financeira
A greve é motivada por uma série de atrasos salariais e pagamentos não honrados pelo Consórcio Guaicurus, concessionária responsável pelo sistema. Os trabalhadores reivindicam:
- Pagamento integral do salário de dezembro: Apenas 50% foi depositado no 5º dia útil, com o restante atrasado.
- Segunda parcela do 13º salário: Com vencimento previsto para 20 de dezembro.
- Pagamento do vale (adiantamento salarial): Também com vencimento em 20 de dezembro.
Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus atribui a impossibilidade de pagamento a uma crise financeira decorrente da inadimplência do Poder Público. A empresa alega que a Prefeitura de Campo Grande não está efetuando os repasses devidos referentes a vale-transporte, subsídios e componentes tarifários, essenciais para o equilíbrio econômico do sistema.
“Sem o fluxo de caixa necessário, o Consórcio está impossibilitado de honrar obrigações financeiras essenciais… A manutenção da inadimplência nos repasses inviabiliza o cumprimento dos pagamentos salariais.”
— Nota Oficial do Consórcio Guaicurus
Impacto Imediato na População e Busca por Soluções
Com a frota inteira parada, a população que depende do transporte coletivo foi pega de surpresa no início da semana. Muitos tiveram que recorrer a alternativas custosas ou improvisadas:
- Caronas solidárias entre colegas e familiares.
- Uso de aplicativos de transporte e táxis, com tarifas elevadas.
- Deslocamento por bicicleta ou a pé, inviável para longas distâncias.
Uma audiência de conciliação entre o TRT e o sindicato dos motoristas está marcada para esta terça-feira, às 15h45, na sede do tribunal. O resultado deste encontro é crucial para definir o retorno ou a continuidade da paralisação.
Histórico de Problemas e a Responsabilidade Pública
Esta não é a primeira crise do tipo em 2025. Em outubro, uma paralisação de duas horas causou transtornos generalizados. Na ocasião, a justificativa também foi o atraso em repasses financeiros. Um débito de R$ 9 milhões – sendo R$ 6 milhões do Governo do Estado e R$ 3 milhões da Prefeitura – foi apontado como a causa raiz.
A Prefeitura de Campo Grande, por sua vez, emitiu nota afirmando estar “rigorosamente em dia” com suas obrigações perante o consórcio, transferindo a responsabilidade pelo financiamento para outros entes e para a tarifa paga pelos usuários. Este impasse entre concessionária e poder público deixa a população refém de uma disputa que paralisa a cidade.
Conclusão: Uma Crise com Solução Incerta
A greve dos ônibus em Campo Grande expõe uma falha sistêmica grave na gestão do transporte público. A desobediência a uma ordem judicial demonstra o nível de desespero dos trabalhadores, enquanto a população sofre as consequências da imobilidade. A audiência de conciliação desta terça-feira representa a última esperança para uma solução negociada antes que os prejuízos sociais e econômicos se ampliem ainda mais.
Atualizado em dezembro de 2025.