Algoritmos na Mesa de Decisões: Do Aconselhamento à Prescrição
Primeiramente, observa-se uma evolução fundamental no papel dos algoritmos. Eles deixam de ser meras ferramentas de análise para se tornarem conselheiros permanentes em processos decisórios complexos. Conforme aponta o relatório da Capgemini, governos, corporações e até sistemas de votação começarão a incorporar camadas sintéticas de análise, alimentadas por dados em tempo real. Na prática, isso significa que escolhas antes baseadas puramente em intuição ou experiência humana passarão a ser acompanhadas por recomendações sistêmicas, simulando cenários e prevendo resultados com precisão sem precedentes.
A Ascensão da Automação Absoluta e das Personas Sintéticas
Além disso, a automação atingirá um novo patamar. A chamada “automação absoluta” não se limitará a tarefas isoladas, mas interpretará contextos, tomará decisões sequenciais e agirá de forma autônoma. O papel humano migrará da execução para a supervisão, correção e gestão dos dilemas éticos inerentes a esse processo. Paralelamente, organizações adotarão personas sintéticas – avatares e identidades digitais – para se relacionarem com o público. Como exemplificado pela influenciadora virtual Lu do Magalu, marcas e instituições ganharão rostos e vozes, borrando deliberadamente a linha entre entidade abstrata e interlocutor relacional.
Futurista: Mateus Oazem
Consultoria: Capgemini
Foco: Narrativas Futuras e Macrotendências Tecnológicas
O Corpo Humano como Plataforma e a Era dos Ecossistemas Sintéticos
Por outro lado, a tecnologia realizará uma integração mais íntima conosco. A tendência do “corpo como plataforma tecnológica” prevê que sensores, wearables avançados e dispositivos de augmentação (ou aumento de capacidades) se fundirão ao físico, monitorando saúde e ampliando desempenho. Este avanço levanta questões urgentes sobre privacidade e soberania de dados biológicos. Simultaneamente, passaremos a coabitar ecossistemas sintéticos, onde entidades artificiais – desde influenciadores digitais até figuras corporativas – serão criadas e consumidas como parte do cotidiano, desafiando nossas noções de autenticidade e interação social.
Inovação em Materiais e a Imperativa Sustentabilidade
Da mesma forma, a inteligência artificial revolucionará a criação de materiais. A tendência das matérias-primas “impossíveis” envolve o uso de simulação computacional e biologia sintética para projetar compostos inéditos – tecidos inteligentes, biocomponentes autorreparáveis – que transformarão setores como construção, energia e manufatura. Este progresso, no entanto, ocorrerá sob a sombra de uma necessidade inadiável: a sustentabilidade. A macrotendência que torna o clima uma “preocupação obrigatória” forçará o redesenho completo das cadeias produtivas, com crescente pressão por transparência e responsabilidade ambiental real, podendo até gerar novos conceitos jurídicos, como crimes contra gerações futuras.
Flexibilidade Estrutural e a Imaginação como Competência Chave
No entanto, as estruturas rígidas que conhecemos estão com os dias contados. A tendência aponta que empresas, equipes e relações darão lugar a arranjos temporários e modulares, conectados por dados e contratos inteligentes. O cotidiano profissional será marcado por trabalhos por projeto, múltiplas fontes de renda e uma constante sensação de reconfiguração. Portanto, em um mundo moldado pela convergência de IA, robótica e computação quântica, a maior vantagem competitiva deixará de ser técnica. Imaginar futuros plausíveis, adaptar-se rapidamente e manter um aprendizado contínuo e crítico se tornarão as habilidades mais valiosas para indivíduos e organizações que desejam não apenas sobreviver, mas prosperar em 2026 e além.
O futuro não será moldado só pela IA, mas pela convergência de várias tecnologias exponenciais. Nesse cenário, imaginar e criar futuros deixa de ser exercício criativo e passa a ser função estratégica.
Trecho do Relatório de Macrotendências Capgemini