Política Monetária: Selic em Patamares Décadas Atrás
Primeiramente, o ano foi definido por uma postura rigorosa do Banco Central no combate à inflação. A taxa Selic atingiu níveis não vistos há quase vinte anos, com uma trajetória de forte elevação no primeiro semestre seguida de estabilização em patamar alto. Além disso, incertezas fiscais e o aumento do prêmio de risco obrigaram a autoridade monetária a manter sua política contracionista. As expectativas agora se voltam para 2026, com o mercado dividido entre um corte já em janeiro ou apenas em março.
Destaque do Ano: Taxa de juros básica em nível máximo em quase duas décadas.
Crescimento e Mercado de Trabalho: Luzes no Cenário
Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou uma performance robusta. A previsão de crescimento para 2025 é de 2,25%, superando a expectativa inicial do mercado financeiro, que era de 2,02%. Da mesma forma, o mercado de trabalho foi um ponto de forte destaque. A taxa de desemprego atingiu 5,4% no terceiro trimestre, o menor valor histórico para o período, impulsionada principalmente pela geração de vagas nos setores de serviços e indústria.
- PIB 2025: Previsão de 2,25%, acima do esperado.
- Desemprego: Mínima histórica de 5,4% no 3º trimestre.
- Geração de Vagas: Destaque para serviços (+961 mil) e indústria (+305 mil).
Inflação e Câmbio: Fatores Externos a Favor
Entretanto, a inflação surpreendeu ao retornar para dentro do teto da meta antes do previsto. O IPCA acumulado em 2025 deve fechar em 4,46%, abaixo da projeção de 5% feita em janeiro. Esse resultado foi acelerado pela política de juros altos e, principalmente, por um fator externo: a desvalorização do dólar. A moeda norte-americana chegou a cair mais de 10% frente ao real em 2025, batendo na mínima de R$ 5,27 em novembro.
Conforme analistas, essa desvalorização global do dólar é uma estratégia do governo dos Estados Unidos para recompor a indústria local, impactando positivamente economias emergentes como a brasileira.
Bolsa de Valores e o Desafio Fiscal
Além disso, o mercado de capitais viveu um ano excepcional. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, superou a marca de 164 mil pontos, renovando recordes históricos. A avaliação é que a bolsa brasileira ainda está “descontada” comparada a outros emergentes, indicando espaço para novas altas.
No entanto, o grande ponto de atenção segue sendo as contas públicas. Apesar dos esforços, a perspectiva para 2026 é de um déficit primário ainda relevante, com uma meta de superávit considerada ousada por especialistas. O cenário eleitoral de 2026 deve adiar reformas mais profundas, transferindo o desafio fiscal para o próximo governo.
“O atual modelo [fiscal] é insuficiente para garantir a convergência fiscal a longo prazo.”
André Valério, Economista-Chefe do Inter
Perspectivas para 2026: O Que Esperar
Portanto, o cenário para o próximo ano é de transição. Em resumo, a expectativa do mercado é pelo início de um ciclo de cortes na taxa Selic, ainda que os juros permaneçam em níveis elevados por algum tempo. Consequentemente, a atividade econômica pode ganhar um novo fôlego, mas sem afetar significativamente o controle inflacionário. O grande teste será a capacidade de o governo equilibrar os estímulos à economia com a necessária disciplina fiscal, especialmente em um ano de eleições presidenciais.