A Estratégia Pioneira que Virou Modelo Global

Para começar, a empresa Strategy estabeleceu o padrão que seria seguido mundialmente. Inicialmente, sua primeira aquisição de Bitcoin ocorreu em agosto de 2020. Cinco anos depois, seu patrimônio digital atingiu a marca impressionante de 660.624 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 62 bilhões. Além disso, o valor de suas ações registrou uma valorização superior a 1.200% nesse período, conforme dados públicos de mercado.

Captação de Recursos da Strategy em 2025:

  • Fevereiro: US$ 2 bilhões em títulos conversíveis para compra de 20.365 BTC
  • Março: US$ 1,2 bilhão em venda de ações para aquisição de 22.048 BTC
  • Abril: US$ 1,42 bilhão, majoritariamente via venda de ações, para 15.355 BTC
  • Julho: Lançamento de ação preferencial perpétua (STRC) para financiar 21.021 BTC
Fonte: Divulgações Oficiais da Strategy

Entretanto, especialistas alertam para os riscos de timing. Joshua Chu, copresidente da Associação Web3 de Hong Kong, observa que muitas empresas adotaram a estratégia próximo às máximas históricas do mercado. “Diversas propostas agressivas eram do mesmo tipo que a bolsa de Hong Kong já havia rejeitado no início do ano por questões regulatórias”, destacou em análise ao Decrypt.

Expansão para Altcoins: Ethereum e Solana em Destaque

Além do Bitcoin, 2025 testemunhou a diversificação para outras criptomoedas. A Forward Industries, por exemplo, executou uma mudança radical em setembro, tornando-se a maior detentora corporativa de Solana do mundo. A empresa levantou US$ 1,65 bilhão através de uma colocação privada com apoio de grandes nomes do setor, como Galaxy Digital e Jump Crypto, alocando quase todo o valor na compra de 6,82 milhões de tokens SOL.

Da mesma forma, o Ethereum ganhou protagonismo. A BitMine Immersion Technologies construiu a maior tesouraria pública desta criptomoeda, adquirindo agressivamente durante correções de mercado. Em outubro, por exemplo, comprou 203.826 ETH por US$ 963 milhões durante uma onda de vendas. Até 15 de dezembro, seu patrimônio em Ethereum superava 3,8 milhões de tokens, avaliados em mais de US$ 12 bilhões.

Modelos Inovadores de Geração de Rendimento

Por outro lado, algumas empresas adotaram estratégias mais ativas. A Ether Machine não apenas acumula Ethereum, mas também engaja seus tokens em mecanismos de staking e estratégias de Finanças Descentralizadas (DeFi) para gerar rendimento passivo. Formada a partir de uma fusão em junho e listada na Nasdaq em julho, a empresa detinha 495.362 ETH em dezembro, valendo mais de US$ 1,4 bilhão.

Jad Comair, CEO da Melanion Capital, enfatiza que as alocações deixaram de ser experimentais. “As empresas passaram de compras oportunistas para a incorporação de políticas formais de tesouraria”, afirmou. “A combinação de contabilidade a valor justo, custódia institucional e liquidez de ETFs transformou essa prática.”

A Expansão Geográfica: O Caso da Metaplanet

No cenário global, a Metaplanet emergiu como a “Strategy da Ásia”. Listada na Bolsa de Valores de Tóquio, a empresa realizou uma oferta internacional de ações de US$ 1,45 bilhão em setembro, destinando parte significativa à compra de Bitcoin. Sua meta é ambiciosa: adquirir 100.000 BTC adicionais no próximo ano e 210.000 até 2027, o que representaria aproximadamente 1% do suprimento total máximo da criptomoeda.

Lições e Riscos da Nova Tesouraria Digital

No entanto, o caminho não foi isento de erros. Comair aponta que o maior equívoco de 2025 não foi a volatilidade dos ativos, mas a inconsistência das empresas. “Os investidores recompensam a clareza e a convicção. Eles punem a hesitação”, destacou. Ele cita casos de empresas que compraram criptomoedas e depois as venderam rapidamente para cobrir dívidas, revelando falta de visão de longo prazo.

Portanto, a adoção corporativa de criptomoedas como reserva de valor parece ter chegado para ficar. Consequentemente, a expectativa para 2026 é de consolidação e sofisticação dessas estratégias, com um foco maior em políticas formais, gestão de risco e, potencialmente, na expansão para um leque mais diversificado de ativos digitais. O “medo de ficar de fora” no nível dos conselhos administrativos deve continuar impulsionando essa tendência estrutural, e não mais cíclica, nas finanças corporativas globais.