O Cenário Regulatório e o Crescimento das Operações
Para começar, a entrada em vigor do Marco Legal dos Criptoativos representou um divisor de águas. Esta legislação trouxe maior transparência e segurança jurídica para as operações, incentivando a participação tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. Consequentemente, os números refletem essa nova confiança. Segundo dados da Receita Federal do Brasil, as transações com criptomoedas totalizaram R$ 363,3 bilhões apenas entre janeiro e setembro de 2024, registrando uma alta expressiva de 82% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Movimentação Recorde em Setembro/2024: R$ 115,7 bilhões
Como Iniciar Investimentos em Criptoativos
Inicialmente, o interessado deve entender as principais portas de entrada para este mercado. Existem, basicamente, dois caminhos amplamente utilizados:
- Exchanges (Corretoras Especializadas): Plataformas digitais onde se compram criptomoedas diretamente com moeda corrente, como o Real.
- ETFs (Fundos de Índice): Fundos negociados em bolsa que replicam o desempenho de criptomoedas, disponíveis em corretoras tradicionais.
Portanto, o processo envolve escolher uma instituição sólida, abrir uma conta, selecionar o ativo desejado e realizar o investimento. Especialistas reforçam a importância de buscar orientação de fontes confiáveis, dada a complexidade e os riscos inerentes a este tipo de aplicação.
O Ecossistema Além do Bitcoin: Ethereum e Stablecoins
Embora o Bitcoin seja a criptomoeda pioneira e mais conhecida, o ecossistema é vasto. O Ethereum, lançado posteriormente, consolidou-se como a segunda principal moeda digital do mundo, com funcionalidades que vão além das transações financeiras. Por outro lado, as stablecoins ganharam enorme popularidade, especialmente entre investidores que buscam menor volatilidade.
- Tether (USDT) e USDC (Circle): São exemplos de stablecoins lastreadas em dólar, que lideraram as movimentações no Brasil ao lado do Bitcoin.
- Tokenização: Permite transformar direitos sobre um ativo real (um imóvel) ou digital (uma obra de arte) em um token negociável, expandindo as fronteiras do mercado de criptoativos.
As Variáveis Econômicas por Trás da Alta
No entanto, o crescimento explosivo não se deve apenas à regulação. Manoel Gustavo Neubarth, professor de Direito e Criptoativos, aponta que a redução das taxas de juros por bancos centrais como o FED e o Banco Central Europeu foi uma variável determinante. Esta política leva investidores a buscarem alternativas com potencial de retorno mais alto, mesmo que acompanhado de maior risco, como é o caso das criptomoedas. Em resumo, o momento atual é uma convergência entre um ambiente regulatório mais seguro e um cenário macroeconômico favorável a ativos alternativos.
“A redução da taxa de juros leva investidores a buscarem investimentos com maior probabilidade de retorno e, por isso, risco, como as criptomoedas. Essa foi a variável determinante.”
Manoel Gustavo Neubarth, professor e advogado especializado
Em conclusão, o mercado brasileiro de criptomoedas demonstra maturidade e força, sustentado por um marco regulatório, recordes de movimentação financeira e um ecossistema diversificado que vai muito além do Bitcoin. Para quem deseja participar, a chave está na educação financeira e na escolha cuidadosa de parceiros de investimento.