Rotação Global: O Movimento Para Além dos EUA

Para começar, a incerteza com políticas tarifárias e o alto custo da corrida pela Inteligência Artificial moderaram o entusiasmo exclusivo com a tecnologia americana. Inicialmente, isso gerou uma migração de capital para outros mercados. Segundo análise do Itaú BBA, bolsas de países emergentes, como a brasileira, apresentaram valorizações superiores a 30% em dólar. Portanto, a diversificação geográfica mostrou-se uma estratégia vencedora.

Top 3 BDRs em Alta (2025):

  • Sibanye Stillwater (Mineração – África do Sul): +281%
  • Western Digital (Computadores – EUA): +268%
  • Gold Fields (Mineração – África do Sul): +208%
Fonte: Dados de mercado consolidados até dezembro/2025.

Setores em Destaque: Mineração e IA Concreta

Além disso, enquanto as “Sete Magníficas” de tecnologia perdiam força, setores considerados fundamentais para a nova economia ganharam protagonismo. Entretanto, não foi a IA puramente digital que mais se valorizou, mas sim suas bases materiais. Por outro lado, empresas de mineração de terras raras e fornecedores de hardware registraram altas históricas. Da mesma forma, o setor bancário global, com destaque para instituições como o Citigroup (+42%), apresentou performance robusta.

Otimismo Cauteloso com a Inteligência Artificial

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de discernimento. Raphael Figueiredo, estrategista da XP Investimentos, explica que não se trata de uma bolha, mas de uma discussão sobre a sustentabilidade dos altos investimentos. “O crescimento do lucro por ação dessas empresas tem surpreendido”, comenta. Portanto, a recomendação é por uma posição neutra, com atenção seletiva a empresas com resultados concretos.

Perspectivas para 2026: Continuidade da Tendência

Consequentemente, a expectativa para o próximo ano é de continuidade nessa trajetória. Nicholas McCarthy, do Itaú BBA, projeta um cenário similar, com ativos fora dos Estados Unidos performando melhor. “Nossa expectativa é um pouco que será um ano similar a este no mercado internacional”, afirma. Além disso, o cenário de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve deve aumentar o apetite por risco e beneficiar mercados emergentes e setores cíclicos.

“O que estamos vendo é só o começo de uma revolução chamada IA e que nos próximos cinco anos vai trazer muito crescimento.”

Ronaldo Patah, UBS Global Wealth Management

Onde Alocar Recursos no Próximo Ano

Portanto, para construir uma carteira resiliente, especialistas sugerem um mix estratégico. Primeiramente, manter exposição à tecnologia de IA, porém de forma seletiva, focando em empresas com fundamentos sólidos como Nvidia e Alphabet. Em segundo lugar, aumentar a alocação em mercados emergentes e em setores tangíveis como commodities e mineração. Por fim, considerar a renda fixa global de alto retorno (high yield), que oferece taxas atrativas em dólar.

Como o Investidor Brasileiro Pode Participar

Para o investidor local, a internacionalização não precisa ser complexa. Inicialmente, é possível utilizar instrumentos acessíveis negociados na B3. Além disso, fundos de investimento e ETFs (Fundos de Índice) internacionais oferecem exposição diversificada com praticidade. Entretanto, é crucial estar atento aos custos e à exposição cambial, já que um dólar em tendência de queda pode impactar os retornos em reais. Em resumo, a diversificação global se mostra não apenas uma opção, mas uma estratégia essencial para os novos tempos.